E ainda temos Blackface – Parte 2

Já conversamos aqui sobre o Blackface, lembram-se do episódio com a blogueira Renata Meins né, bom, mas não vim falar dela porque acho que ela aprendeu a lição e não fez mais Blacface nos eu canal no youtube, mas vim falar do humorista Paulo Gustavo, que também deu mancada quando resolveu reviver um de seus personagens, a Ivonete.

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O personagem Ivonete é uma mulher negra, que usa roupas que não combinam, não tem “papas na língua”, é barraqueira, gosta de uma cachaça, muito samba, fala errado e sempre se mete na vida da patroa, dos vizinhos enfim de todo mundo, como é engraçada essa Ivonete né? Não, não é não, uma vez que, esse estereótipo da mulher ‘negra festeira, mal vestida e burra’, já cansou todas as mulheres negras do Brasil por não nos representar de maneira nenhuma.

Ainda tem aqueles que não se sentem ofendidos, mas nossa sociedade precisa entender que quem sabe o que é racismo ou não, são as pessoas negras, quem pode dizer o que me ofende ou não, sou eu, é sim, me sinto ofendida com personagens como a Ivonete, ou a Adelaide do Zorra Total, ou o “Africano” do Programa Pânico e demais “subcelebres” que decidem “homenagear” as pessoas negras.

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Procurem aprender, revejam seus conceitos, conversem com quem entende do assunto, se você teve uma atitude preconceituosa peça desculpas, assim como o Paulo Gustavo pediu, após conversar e entender porque o blackface ofende e porque alguns personagens não deveriam existir. Leiam o pedido de desculpas dele divulgado no facebook:
“Nesses últimos dias li, ouvi, pensei e entendi que há uma longa discussão sobre o uso de “Black face” muito anterior e muito maior do que eu, minha carreira, minha personagem e o 220 volts, por isso decidi refazer a Ivonete sem que ela pareça uma caricatura risível da mulher negra. Ela não é. Ivonete é esperta, crítica, consciente e questionadora. É uma brasileira que passa por todas as dificuldades absurdas que todos passamos como a falta transporte eficiente, sistema de saúde precário, violência, etc etc etc… Ela se revolta, reclama, exige, sofre, mas não perde o rebolado, mantém-se de cabeça erguida, forte, guerreira e sobretudo alegre. Mas o Black face historicamente remete a experiências que são dolorosas para muitas pessoas e, mesmo não sendo a intenção, eu peço desculpas se ofendi ou magoei alguém. Eu posso pintar minha pele, posso fingir, representar, tentar dar voz a essa mulher, mas eu nunca saberei de verdade como é ser uma mulher negra. Nos textos, a alegria da personagem não fazia dela uma alienada, mesmo assim eu compreendi que a negra animada é um estereótipo que os movimentos negros combatem com razão pois na vida real, muitas vezes, não é nada engraçado. Apesar de conhecer e adorar muitas Ivonetes, ser negro no Brasil é difícil sim. Como ser mulher também é difícil; como ser gay também é difícil. Tanto na minha arte quanto na minha vida pessoal tenho feito o que posso pra tentar transformar o mundo num lugar melhor. Casei com o Thales, assumi isso publicamente, mudei minha certidão. Entendo que temos um grande processo de conscientização sobre o racismo, o machismo e a homofobia no Brasil e ele vem passando por etapas dolorosas. Eu não quero de forma alguma ser agente dessa dor, corroborar com preconceitos e manter o status quo de uma sociedade que necessita melhorar. Todos nós precisamos conversar e pensar mais a respeito. Eu tenho feito isso. Eu e a Ivonete.”
Ainda temos um caminho muito grande para percorrer, o preconceito existe, o racismo existe e esta na boca dos “formadores de opinião”, precisamos calar essas bocas, precisamos mostrar que nossa cor não é caricata, não somos palhaças de circo, exigimos respeito, respeitem nossa luta e respeitem nossa cor.

bjos

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